Brasília em 1967: Plano Piloto e Cidades-Satélites
A partir de dois traços, em forma de cruz, no branco do papel, iniciou-se o esboço de um projeto urbanístico que entrou para a história. O desenho de um avião, em seguida, foi o ponto de partida para a planta da cidade. Após a sua construção, a cabine do piloto dessa aeronave, passou a abrigar os poderes que comandam o país. Em 1987, ela se tornou a primeira cidade moderna do mundo a ser tombada pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.
Tanto o projeto urbanístico de Lúcio Costa quanto a moderna arquitetura dos edifícios desenhados por Oscar Niemeyer conferem a Brasília características que não encontram paralelo em qualquer outra cidade do mundo. De automóvel, é possível atravessar toda a sua extensão, a partir da entrada Sul até o final da Asa Norte, sem pegar um único sinal de trânsito sequer. De cada ponto desse trajeto totalmente arborizado, vê-se a linha do horizonte: a cidade é plana e os edifícios residenciais têm, no máximo, seis andares. Além disso, o ar de Brasília é puro, pois não há indústrias pesadas ao seu redor.
Mas essa qualidade de vida, desfrutada por quem habita o Plano Piloto, tem um custo alto para a maioria da população, que mora nas periferias. Enquanto a cidade possui cerca de um automóvel para cada duas pessoas (maior índice do país), o seu transporte coletivo leva pouco mais do que um passageiro por quilômetro percorrido de linhas de ônibus, número que chega a ser quatro vezes menor do que o de cidades de mesmo porte. Esse baixo índice, que torna a tarifa de ônibus em Brasília uma das mais caras do país, se deve à grande distância entre as cidades-satélites, onde vive cerca de 90% da população do Distrito Federal, e o Plano Piloto, que concentra 77% dos postos de empregos do DF, segundo levantamento feito pelo Ministério do Trabalho, em 1999.
Esses dados fazem parte de um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), sobre a ocupação territorial do DF. O estudo mostra que o processo de periferização, que em outras grandes cidades se deu por pressões do mercado imobiliário, no DF foi instituído pelo próprio governo. "O processo de implantação dos núcleos urbanos foi extremamente segregacionista desde a sua origem", afirma Frederico de Holanda, um dos responsáveis pela pesquisa.
O estudo revelou que, segundo estatísticas da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan), desde a construção da capital, a população do DF é maior nas cidades-satélites do que no Plano Piloto. Milhares de migrantes que foram para a região trabalhar na construção da capital, se alojaram, na época, nas imediações da Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante. Em 1958, uma parte dos operários foi convencida por assistentes sociais a se mudar para os loteamentos da primeira cidade-satélite que surgia: Taguatinga, a 20 Km do Plano Piloto. Pouco mais de uma década depois, com a Campanha de Erradicação de Invasões (CEI) criada pela administração de Brasília, surgia ao lado de Taguatinga aquela que seria a maior cidade-satélite do DF: Ceilândia. "A remoção dos moradores de várias favelas deu origem a essa cidade", conta Holanda. No censo de 1980, Ceilândia já possuía uma população maior que a do Plano Piloto.
"A configuração urbana do DF caracterizou-se como um modelo de ocupação muito menos compacto, muito menos denso", afirma Patrícia Melasso Garcia, outra pesquisadora da UnB envolvida no estudo. "As cidades criadas pelo poder público localizavam-se distantes do centro", ela diz. Os pesquisadores da UnB mencionam o documento Brasília Revisitada, escrito por Lúcio Costa em 1987, no qual o próprio urbanista, que projetou uma área de expansão na cidade-satélite do Guará, entre Taguatinga e o Plano Piloto, reconhece as consequências sociais da concentração populacional nas cidades-satélites. "A longa distância entre as satélites e o Plano Piloto isolou dois terços de sua população metropolitana que reside nos núcleos periféricos, além de gerar problemas de custo para o transporte coletivo", admite Lúcio Costa em seu texto.
Misticismo
Com pirâmides que lembram a antiguidade egípcia, como o Teatro Nacional e o Templo da Boa Vontade, Brasília é cercada por misticismo desde a sua criação. Às margens do lago Paranoá, construído artificialmente para amenizar a baixa umidade da capital, há a inscrição de uma profecia atribuída a Dom Bosco, padre italiano fundador da Ordem dos Salesianos, em 1859. Na Ermida que leva o seu nome, o texto da profecia de Dom Bosco diz que "entre os paralelos de 15º e 20º, partindo de um ponto onde se formava um lago, surgirá a terra prometida". Brasília, situada nas proximidades do paralelo de 15º, é tida pelos místicos da cidade como a "terra prometida", vislumbrada por Dom Bosco.
Canal: Travel & Events
Aadido: November 30, 1999 at 12:00 am
Autor: ZekitchaCostello
Duracin: 04:16
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Etiquetas: architecture Brasil capital contrasts Costa johnny love Lucio metro modernism Niemeyer Oscar urbanism virginie
Comentarios
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marcoswelber (November 30, 1999 at 12:00 am)
Desfazer das satélites e entorno e negar a vocação de Brasília a metrópole.
Mesmo que haja sido planejada para ridículos 500 000 habitantes no ano 2000 Brasília superou todas as espectativas tacanhas.
liandramatos (November 30, 1999 at 12:00 am)
Pessoa ignorante e desagradável.
Vai estudar um pouco vai.
wangonca (November 30, 1999 at 12:00 am)
Oh imbecil,
Procura no Google fotos de Taguatinga e de Águas Claras pra dar uma olhada nos enormes edifícios.
Dá pra ver que você não entende nada do DF. O DF tem o maior IDH do Brasil, 100% de esgoto tratado e 99% de saneamento básico e asfalto.
A sede do Governo do DF fica em Taguatinga (essa favela da decada de 60) e a residência oficial do Governador também.
rehanen (November 30, 1999 at 12:00 am)
então quer dizer q não existe pessoas desagradáveis no Plano Piloto???? É cada umaaa
dico1306 (November 30, 1999 at 12:00 am)
Só um detalhe.
brasília é o plano piloto,as cidades são favelas com pessoas desagradáveis para ñ dizer outras coisas.
akihabara05 (November 30, 1999 at 12:00 am)
Esse vídeo ficou muito bom! Parabéns!
Necroman666 (November 30, 1999 at 12:00 am)
brasilia coloca o ideal para o bem-estar:
natureza, espaço, horizontalidade e silêncio
rubenscaetano (November 30, 1999 at 12:00 am)
Aí também não, né?
Quem mora aqui sabe que a cidade tem seus defeitos, gostem dela ou não.
Eu concordo com o que o iolijohn disse aí embaixo.
face01 (November 30, 1999 at 12:00 am)
Brasília é perfeita, desde a sua concepção!
iolijohn (November 30, 1999 at 12:00 am)
desastre tupiniquim meu caro é verificar que o brasileiro ainda não tem a verdadeira dimensão daqueles que realmente contribuíram pelo engrandecimento deste país! Niemeyer disse: vc pode até discordar de sua beleza, mas inegavelmente ela não passará despercebida!
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